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quinta-feira, 10 de dezembro de 2009

FUTURO INCERTO - Sem saber para onde ir, governo do RS decide tirar emissoras do Morro Santa Tereza até março


















Secretário da Administração do RS, Elói Guimarães
Foto: Gabriela Di Bella/JC

JORNAL DO COMÉRCIO
Notícia da edição impressa de 10/12/2009
Guimarães vai realocar a TVE antes de março
Prazo para a desocupação do prédio expira em março de 2010; venda à EBC é dada como certa


O governo do Estado trabalha com "várias alternativas" de novos locais para o funcionamento da TVE e da FM Cultura, mas ainda não tem definição sobre o assunto. A afirmação é do secretário estadual da Administração e Recursos Humanos, Elói Guimarães. A Fundação Estadual Piratini deve sair até o final de março de 2010 do prédio no Morro Santa Tereza, que ocupa desde 1980.

"Estamos analisando várias alternativas. De concreto, não temos nada", diz o secretário ao Jornal do Comércio. Guimarães explica que foi uma "decisão de governo" não adquirir o imóvel, de propriedade do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), pelo valor de R$ 4,7 milhões, mesmo com a recente venda do antigo prédio da Corlac por R$ 13,6 milhões.

"O prédio careceria de reformulação, por ser um imóvel antigo. Isso implicaria um investimento fantástico e o governo entendeu que não deveria ficar mais lá", justifica.

O INSS tenta se desfazer do imóvel, adquirido em troca de dívidas dos Diários Associados, seguindo orientação do Ministério da Previdência para que prédios ociosos da instituição sejam repassados. A TVE tinha prioridade na compra, mas como o governo estadual comunicou o desinteresse, o INSS tenta vendê-lo agora a entidades da administração pública, que têm até o dia 21 para apresentar oferta.

A venda à Empresa Brasil de Comunicação (EBC) é dada como certa. A informação foi repassada aos funcionários da TVE pelo diretor da Federação Nacional dos Jornalistas, José Carlos Torves, que teve reunião na terça-feira com o ministro da Previdência, José Pimentel. Segundo a assessoria de imprensa do INSS no Estado, ainda não houve manifestação oficial.

Guimarães promete encontrar novo local para a TVE antes do prazo final para a desocupação, apesar do prazo curto. A definição é colocar a emissora num prédio próprio do governo do Estado. "Não queremos locar. Queremos dar melhor aproveitamento aos prédios", diz. Quanto ao insucesso numa permuta com o INSS que permitisse a permanência da TVE no atual local, Guimarães afirma não ter recebido nenhuma comunicação desde que está à frente da secretaria.

No caso de venda à EBC, a direção da empresa já sinalizou com a possibilidade de uma parceria com a TVE. Os funcionários fazem um abaixo-assinado pedindo a permanência da emissora no local e preparam uma série de atividades nos próximos dias. A Comissão de Serviços Públicos da Assembleia Legislativa deve votar hoje um requerimento para a realização de audiência pública sobre a questão.

quarta-feira, 9 de dezembro de 2009

Coletiva.net "esquece" de informar que governo Yeda não quis permanecer no prédio

O que ninguém lembra, nesta matéria sobre mudança da Fundação Cultural
Piratini, é que convidado a comprar e/ou permutar o prédio do INSS por outra
propriedade, o governo estadual disse não ter interesse na aquisição.
Ou seja, tudo leva a crer, até agora, que o governo estadual quer tirar as
duas emissoras do Morro Santa Tereza.
O prazo final é 31 de março, mas até agora ninguém informou os servidores da
Fundação Cultural Piratini sobre o seu destino.
Alguns não acreditam que seja possível transferir as emissoras dentro deste
prazo, por conta das exigências técnicas e adaptações no novo local que a
mudança demandaria.
Ou seja, o povo do Rio Grande do Sul corre o risco de ficar sem o sinal da
TVE e da FM Cultura por conta da falta de interesse do governo estadual em
solucionar a questão.
Um absurdo, se me permitem uma opinião sincera de quem já fez parte dos
quadros da Fundação Cultural Piratini, onde ingressei por concurso público.

Abraço a todos,
Cristiane Bernardes

EBC confirma intenção de compra do prédio da TVE

Segundo o INSS, momento é de resolução dos trâmites legais

http://www.coletiva .net/

A diretora-presidente da Empresa Brasileira de Comunicação (EBC),
Tereza Cruvinel, confirmou, através de sua assessoria de imprensa, a
intenção na compra do prédio onde hoje está instalada a TVE e a rádio
FM Cultura em Porto Alegre. Ela explicou a Coletiva.net que a compra
do prédio faz parte do projeto do grupo, a médio e longo prazo, de
instalar uma unidade da TV Brasil na região Sul do País.

A assessoria de imprensa do Instituto Nacional do Seguro Social
(INSS), proprietário do prédio, informou que, após a primeira
manifestação da EBC de adquirir o prédio, foi publicado um edital que
estabelecia o prazo de 15 dias para que a empresa confirmasse o
interesse. Como a intenção de compra foi confirmada, a ação que
levaria o prédio a leilão foi suspensa, sendo iniciados os trâmites
legais para que a transação se efetive. A intenção do INSS é de que o
processo se encerre até o final do ano. O valor de venda do imóvel
está fixado em R$ 4,7 milhões.

Uma audiência pública está marcada para a próxima segunda-feira, 14,
às 10h, no plenário da Câmara de Vereadores para discutir a
permanência das emissoras no prédio. O encontro foi proposto pelo
Sindicato dos Jornalistas Profissionais e Sindicato dos Radialistas do
Estado, apoiados por um grupo de funcionários da Fundação Cultural
Piratini.

Abaixo-assinado

O abaixo-assinado contra a extinção da TVE/RS e FM Cultura e pela permanência no Morro Santa Tereza já está circulando. O endereço é: http://www.abaixoassinado.org/abaixoassinados/5348

Você pode clicar no link à direita, acima.

terça-feira, 8 de dezembro de 2009

Agenda de Atividades


10/12/09 – quinta-feira – Hora: 09h30min. Comissão de Serviços Públicos da Assembléia Legislativa vota requerimento para realizar Audiência Pública sobre a saída da TVE e da FM Cultura do endereço atual. A Secretaria de Administração do RS enviou ofício ao INSS (proprietário do imóvel) afirmando que vai desocupar os prédios até 31 de março de 2010. A audiência pública visa colocar frente a frente: governo do RS, INSS, TV Brasil/EBC (interessada na compra do imóvel), funcionários da TVE/FM Cultura, Presidência da Fundação Piratini, Conselho Deliberativo da Fundação Piratini, Sindicato dos Jornalistas do RS, Sindicato dos Radialistas do RS, Parlamentares e sociedade em geral.

11/12/09 – sexta-feira – Reunião de funcionários da TVE e da FM Cultura. Hora: 19h30min. Local: Sindicato dos Radialistas (Barão de Teffé, 252. Menino Deus. Fone 51-3233.3500).

14/12/09 – segunda-feira – Audiência Pública na Câmara de Vereadores de Porto Alegre. Hora: 10h. Convidados: governo do RS, INSS, presidência da Fundação Piratini, Conselho Deliberativo da Fundação Piratini, parlamentares da bancada federal gaúcha, vereadores, deputados estaduais, funcionários da TVE e da FM Cultura, Sindicato dos Jornalistas do RS, Sindicato dos Radialistas do RS e sociedade em geral.

20/12/09 – Domingo – Ato-show (a confirmar) – Neste dia, fará 50 anos que a TV Piratini, a primeira televisão do Rio Grande do Sul, foi inaugurada, no Morro Santa Tereza, onde hoje funcionam a TVE e a rádio FM Cultura. Buscaremos apoio dos artistas gaúchos para a realização deste ato-show. Logo divulgaremos um e-mail para contato.

Pendências:

- Audiência com secretária da Cultura, Mônica Leal. Enviamos ofício em 08/12/09. Situação: aguardando resposta.
- Audiência com a secretária-geral de Governo, Ana Pellini, e com a Câmara Setorial de Gestão Pública. Enviamos ofício em 08/12/09.
Situação: aguardando resposta.

quinta-feira, 3 de dezembro de 2009

TVE/RS E FM CULTURA CORREM RISCO DE EXTINÇÃO

MANIFESTO PÚBLICO DOS FUNCIONÁRIOS DA TVE E DA FM CULTURA

TVE/RS E FM CULTURA CORREM RISCO DE EXTINÇÃO

A TVE e a FM Cultura estão saindo do prédio que ocupam há vinte e oito anos porque o governo do Estado não aceitou negociar com o INSS (proprietário do imóvel). O governo do RS tem mais de 1500 prédios ociosos, que poderiam ter sido oferecidos para permuta. Apesar de ter a preferência na compra, o governo gaúcho não quis adquirir o imóvel. Nos moldes atuais de funcionamento da Fundação Cultural Piratini, a transferência certamente vai custar mais cara aos cofres públicos, não havendo sequer viabilidade técnica para a mudança até 31 de março de 2010, data escolhida pelo Executivo para a entrega do prédio.

Os sindicatos dos Jornalistas e Radialistas e os funcionários acreditam que a decisão vai resultar na extinção da TVE/FM Cultura, já que o processo de sucateamento das emissoras se intensificou neste governo, com a falta de investimentos em infraestrutura e na produção própria, o desrespeito ao Conselho Deliberativo que representa a sociedade e o total desinteresse pela rede pública de comunicação no Brasil.

Contamos com a sensibilidade das autoridades e do povo gaúcho para defender a manutenção e o fortalecimento das nossas emissoras. Para tanto, devem permanecer no endereço atual.

Obtenha mais informações ou manifeste-se através do blog
http://forumtve.blogspot.com

Porto Alegre, 03 de dezembro de 2009.

Câmara discute questões da TVE e FM Cultura












03/12/2009
Foto: Tonico Alvares
Comissão teme a extinção da emissora com a possível mudança de prédio

O presidente da Câmara Municipal de Porto Alegre, vereador Sebastião Melo (PMDB), e o vice-presidente, vereador Adeli Sell (PT), receberam, na manhã desta quinta-feira (3/12), representantes da TVE e FM Cultura, do Sindicato dos Jornalistas e do Sindicato dos Radialistas para discutir a situação enfrentada pelos funcionários da emissora com a possível mudança de prédio.

A TVE e FM Cultura, pertencentes ao Governo do Estado do Rio Grande do Sul, mantêm suas instalações no Morro de Santa Tereza há cerca de 30 anos, em imóvel pertencente ao INSS. O governo, segundo os funcionários, não quis adquirir o imóvel, apesar de ter a preferência na compra, não tendo aceito negociar com o INSS a permuta por um de seus mais de 1,5 mil prédios ociosos.

A representante dos funcionários da TVE e FM Cultura, Elisabete Lacerda, pediu que os poderes tomem providências e não deixem que a emissora seja extinta. “Trata-se de um prédio histórico. Tememos que a emissora feche as portas ou que fique sem programação local”, argumentou.

Os sindicatos dos Jornalistas e Radialistas reclamam do descaso do governo, que em muitos casos reflete na qualidade da infraestrutura e da produção. Para o presidente do Sindicato dos Radialistas, Antônio Peres, e o diretor do Sindicato dos Jornalistas, Léo Nunes, a situação não pode avançar sem interferências. “Teríamos demissões e a perda de um veículo importantíssimo”, disse Nunes.

O presidente do Legislativo municipal, Sebastião Melo, propôs que seja realizada uma reunião no dia 14 de dezembro, com deputados estaduais, secretários da Cultura, representantes do INSS, da TVE/FM Cultura, dos Sindicatos dos Jornalistas e Radialistas, entre outros representantes dos Poderes Executivo e Legislativo. "Esta causa deve envolver todos os setores", avaliou.

Taidje Gut (reg. prof. 13614)
Fonte: http://www.camarapoa.rs.gov.br

Sindicalista pede apoio dos deputados a trabalhadores da TVE

TRIBUNA POPULAR

Michele Limeira - MTB: 9733 | Agência de Notícias 15:27 - 03/12/2009
Edição: Letícia Rodrigues - MTB 9373


O presidente do Sindicato dos Radialista, Antonio Edson Peres, usou o espaço da tribuna popular, no início da sessão plenária de hoje (3), para solicitar apoio dos parlamentares aos trabalhadores da TVE e da FM Cultura: “Pedimos aos deputados que recebam os trabalhadores em audiência pública e nos ajudem neste momento difícil e de instabilidade pelo qual passam os funcionários”.

Peres explicou que os trabalhadores destes veículos correm o risco de perder o prédio em que estão instalados e estão preocupados com a situação, porém não estariam recebendo atenção do governo do Estado e da presidência da TVE. “Há uma censura branca”, provocou.

O sindicalistas também protestou contra os impasses existentes em negociações com classes patronais para reajustes salariais e citou dificuldades vividas pelos funcionários da Rádio Guaíba, devido à nova administração.

Tribuna Popular
A Tribuna Popular é realizada na primeira quinta-feira de cada mês e é aberta a entidades da sociedade civil, que têm dez minutos para explanação. Para ocupar a Tribuna Popular, as entidades devem encaminhar requerimento à Presidência da Assembleia Legislativa, pelo menos 72 horas antes. Os requerimentos de Tribuna Popular são deliberados pela Mesa Diretora da Casa.

Fonte: http://www.al.rs.gov.br

quinta-feira, 25 de junho de 2009

Presidente da TVE/RS quer um conselho???

Não acreditei no que li na coluna da Taline Oppitz, no Correio do Povo desta quarta-feira, 24/06/09. Será que o dia de São João tem alguma coisa a ver com 1º de abril e eu não sabia??? Não, não tem. A relação é tão disparatada quanto a do sr. RA com o conceito de TV e rádio públicas: nenhuma.

A direção do CPERS-Sindicato (Centro dos Professores do Estado do Rio Grande do Sul) pediu ao presidente da Fundação Piratini (TVE/RS e FM Cultura) o mesmo tempo na grade da TVE para veiculação de um contraponto à série de programas/propaganda da Secretaria da Educação que foram veiculados na semana passada na nossa TV "pública". Os programas divulgavam a visão da secretária Mariza Abreu sobre a necessidade de mudanças no Plano de Carreira do Magistério. Uma visão sustentada em gráficos e números. Mas, como ouvi esses dias, “números são como pessoas: torture e eles contam qualquer coisa”.

Pois não é que o senhor Ricardo Azeredo "afirmou que levará o tema à direção e ao Conselho da TVE". Como assim???? Até agora ele se recusou a receber a direção do Conselho e não entregou NENHUM dos documentos solicitados reiteradas vezes pelo colegiado desde que assumiu a presidência da Fundação, em outubro de 2008.

Nada do que o Conselho solicitou até hoje foi entregue. A Comissão de Programação do Conselho, da qual sou coordenador, aguarda até hoje as cópias de matérias que teriam sido censuradas pela direção, fatos que já são de conhecimento público, conforme nota oficial do Sindicato dos Jornalistas do RS. A resposta tem sido invariavelmente o silêncio arrogante (que pode esconder um covarde tilintar de dentes).

Definitivamente, vivemos um momento singular na gestão pública deste estado.
...

Alexandre Leboutte
Jornalista - Representante dos funcionários da TVE/RS e FM Cultura
no Conselho Deliberativo da Fundação Piratini

PS. Colo abaixo o texto da colunista do Correio do Povo:

PELO MESMO ESPAÇO

A presidente do Cpers, Rejane Oliveira, e a vice, Neida de Oliveira, em reunião com o presidente da TVE, Ricardo Azeredo, solicitaram duas horas na grade de programação. Querem que seja divulgado vídeo com as posições contrárias do Cpers às mudanças propostas pelo Piratini no plano de carreira do magistério. As duas horas correspondem ao tempo utilizado pelo governo para veicular quatro gravações, de 30 minutos, explicando detalhes e defendendo a necessidade das mudanças. Azeredo afirmou que levará o tema à direção e ao Conselho da TVE. O Cpers aguarda resposta para os próximos dias.

Fonte: Correio do Povo(24/06/09, pg. 2)

terça-feira, 9 de junho de 2009

II Fórum Nacional de TVs Públicas

Carta de Brasília II

O II Fórum Nacional de TVs Públicas, ancorado pela Carta de Brasília, afirma seu compromisso com o processo de democratização da comunicação social brasileira.

Visando a conquista de um campo público de televisão editorialmente independente, que estimule a formação crítica do indivíduo para o exercício da cidadania e da democracia, o II Fórum apresenta uma série de propostas e reivindicações.
Essas deliberações têm, principalmente, o objetivo de estabelecer alianças e compromissos com os cidadãos brasileiros, razão de sua existência.

Organizado pelas entidades do campo público de televisão, o II Fórum contou com a participação de representantes do Governo Federal, do Parlamento e da sociedade civil.

A partir das contribuições aos temas em debate, dadas presencialmente ou enviadas por Internet, o II Fórum Nacional de TVs Públicas chegou aos seguintes consensos:

REGULAMENTAÇÃO

O II Fórum Nacional de TVs Públicas entende que toda radiodifusão de sons e imagens é um serviço público e, portanto, depende de concessão outorgada somente pelo Estado.

O artigo 223, ao mencionar que existe um sistema público, um estatal e um privado está estabelecendo três categorias diferentes não estanques, não antagônicas, mas três categorias diferentes que têm de ser distinguidas por algum critério; atuar de forma complementar é a prescrição da Constituição.

Ao contribuir para a regulamentação dos artigos constitucionais referentes a essa matéria, o II Fórum interpreta que há um sistema de radiodifusão privado, com fins lucrativos e que deve, como os demais sistemas, obedecer aos princípios do artigo 221 de modo preferencial.

Entende que há um sistema de radiodifusão público, que é estatal, não tem fins lucrativos e obedece, com exclusividade e não preferencialmente, aos princípios do artigo 221 e da lei 11652. Sua programação está voltada à divulgação e transparência dos atos institucionais e à prestação de contas da administração pública em suas três esferas de poder: o Executivo, o Legislativo e o Judiciário.

O II Fórum entende ainda que há um sistema de radiodifusão público não-estatal que opera sem intenção de lucro, que deve obediência exclusiva aos princípios do artigo 221, que deve observar os princípios e objetivos contidos na Lei 11.652, que já vigoram para regular o sistema público de comunicação em âmbito nacional. A diferença fundamental entre os dois sistemas é que, no sistema de radiodifusão público não-estatal, as diretrizes de gestão da programação e a fiscalização devem ser atribuição de órgão colegiado deliberativo, representativo da sociedade, no qual o Estado ou o governo não devem ter maioria.

Em função dessa conceituação, o II Fórum Nacional de TVs Públicas deliberou pela:

1) alteração imediata, por medida provisória dada sua relevância e urgência, do artigo 13 parágrafo único do Decreto Lei 236 de 28 de fevereiro de 1967;

2) edição simultânea de uma portaria interministerial, definindo os objetivos e princípios da radiodifusão pública, exploradas por entidades públicas ou privadas, que não o poder executivo federal ou de entidades de sua administração indireta.
(íntegra da sugestão do campo público de televisão anexa)


FINANCIAMENTO

O II Fórum Nacional de TVs Públicas, por entender que o modelo de financiamento do campo público de televisão impacta diretamente a consecução de seus objetivos e missão, diante do desafio de construir uma televisão pública autônoma e independente afirma os seguintes compromissos:

- a não exibição de publicidade de produto ou serviço em todas e qualquer uma das emissoras públicas estatais e não-estatais;.

- a criação de modelos de financiamento estáveis e integrados para todo o campo público de televisão;
- promover mecanismos entre produtoras independentes, TVs Públicas, Ministério da Cultura e Agencia Nacional de Cinema (Ancine) visando a criação de modelos de negócios que utilizem instrumentos de fomento para a produção independente em TV.
O II Fórum reconhece que o modelo de financiamento da EBC é uma referência importante para as TVs Públicas quanto às possibilidades de diversificação de suas fontes de financiamento.

E reivindica:
- participação de todas as emissoras que compõem o campo público de televisão nos recursos provenientes da Contribuição para o Fomento da Radiodifusão Pública;

- repasse de um percentual de publicidade pública institucional do Governo Federal às emissoras que compõem a Associação Brasileira de Canais Comunitários (ABCCOM).


MIGRAÇÃO DOS CANAIS PÚBLICOS DO CABO PARA REDES DIGITAIS ABERTAS

O II Fórum Nacional de TVs Públicas afirma o direito das TVs Comunitárias e Universitárias ao espaço aberto de transmissão no processo de migração dos canais públicos do cabo para redes digitais e reivindica:

- que o Sistema Brasileiro de Televisão Digital Terrestre (SBTVD-T), incorpore os canais comunitários e universitários como players devidamente identificados no texto da Lei, disciplinando sua operação nos mesmos moldes previstos na Lei do Cabo;

- que se garanta o acesso das TVs Comunitárias e das TVs Universitárias ao espectro da TV Digital Aberta Terrestre, com possibilidade de utilização de todas as funcionalidades da tecnologia: interatividade, multiprogramação, mobilidade e multiserviço.

- que as TVs Comunitárias tenham assegurada sua participação no novo Canal da Cidadania, como determinado no Decreto 5.820;
- que seja incluído um inciso adicional no artigo 3º do Projeto de Lei 277/2007 prevendo o Canal da Universidade, com gestão conjunta, autônoma e isonômica por instituições de ensino superior, autorizadas a funcionar pelo Ministério da Educação, as quais responsabilizar-se-ão por transmitir programação decorrente das produções realizadas por discentes, docentes e colaboradores das referidas instituições de ensino.

OPERADOR ÚNICO DE REDE E MULTIPROGRAMAÇÃO

O II Fórum Nacional de TVs Públicas diante da discussão sobre a infra-estrutura técnica do Sistema Brasileiro de Televisão Digital Terrestre (SBTVD-T) reivindica:

- um operador de rede pública único que congregue todas as emissoras de televisão do campo público de entidades públicas e privadas;

- que todas as emissoras do campo público de televisão tenham assegurado o direito à multiprogramacão e à interatividade para a ampliação da transmissão e recepção de conteúdos que venham, de fato, a colaborar para a construção da cidadania no Brasil.

PROGRAMAÇÃO DE TV PÚBLICA

O II Fórum Nacional de TVs Públicas reivindica:

- Formação e qualificação técnica e em gestão dos profissionais de comunicação e telecomunicação do campo público de televisão;

- Fomento à estruturação de grupos de trabalho permanente, com formato de laboratório e participação de todas as vertentes do campo público de televisão, para a realização de pesquisa e desenvolvimento em inovação de linguagem, em conteúdos para convergência digital, criação de novos formatos de programação elaborados a partir das possibilidades interativas do público com a TV digital, multiprogramação, acessibilidade e usabilidade do controle remoto usado como miniteclado;

- Fomento à produção independente, através da construção compartilhada com produtoras independentes, TVs Públicas, Ministério da Cultura, por meio da Secretaria do Audiovisual, e Agencia Nacional de Cinema (Ancine) de editais públicos específicos que considerem a vocação do campo público de televisão;

- Fomento à produção cidadã, de conteúdos realizados diretamente pela sociedade, mediante a incorporação de modelos de produção audiovisual baseados na cultura colaborativa, compartilhada e participativa. Fortalecimento e abertura de espaços para a veiculação dessas produções nas TVs do campo público, além da implementação de políticas de estímulo e fomento a esses modelos de produção, nos moldes do item anterior;

- realização de inventário, digitalização e disponibilização de acervos locais existentes;

O II Fórum também afirma seu compromisso com:

- a construção de modelos de grade de rede do campo público de televisão diferenciado do sistema comercial, que sejam flexíveis e que contemplem e valorizem, efetivamente, os conteúdos regionais;

- a realização de estudo específico para a regulamentação da distribuição e do licenciamento de programas e produtos da TV Pública, no novo contexto tecnológico.

Por fim, o II Fórum reafirma que o Cinema Brasileiro é um parceiro estratégico para a realização da missão do campo público de televisão e manifesta a importância de se celebrar um acordo colaborativo, por meio de bases sólidas, entre a TV Pública e o Cinema Nacional.

INSTITUTO DE COMUNICAÇÃO PÚBLICA BRASILEIRA

O II Fórum Nacional de TVs Públicas deliberou a criação de um instituto autônomo e independente, para estudo e pesquisa da comunicação pública brasileira. E afirma que esse instituto:

- coordenará o levantamento do conhecimento e experimentações produzidas pelas TVs Públicas, universidades e instituições de pesquisa;

- funcionará como um ambiente de discussão permanente para a repercussão e continuidade das reflexões que buscam configurar o campo público brasileiro de televisão;

- abrigará laboratórios, desenhados para refletir, pesquisar, avaliar e inovar sobre as questões centrais na construção dos modelos de comunicação desejados pelo campo público de televisão;

- estabelecerá parcerias com universidades e instituições de ensino, pesquisa e produção, nacionais e internacionais.

- trabalhará como agente crítico dos caminhos propostos para o campo público de televisão;

- atuará no desenvolvimento de novas metodologias de análise de aferição de performance e qualidade que atendam aos princípios e objetivos para o qual a TV Pública foi criada;

- colaborará no desenvolvimento de informações e ferramentas para a prestação de contas junto à sociedade e seus patrocinadores.
A criação de um instituto de comunicação pública brasileira representa um importante suporte para que a TV Pública ponha-se à mostra, com consciência, sem medo de ousar.

Assim, o II Fórum encarece, desde já, o apoio do Governo Federal e do Parlamento para a implementação desse instituto.

Os avanços propostos pelo II Fórum Nacional de TVs Públicas revelam que o processo de construção do campo publico de televisão e de sua identidade, especialmente no contexto da tecnologia digital, é uma oportunidade histórica determinante para despertar na sociedade o sentimento de pertencimento dessa TV pelo público e do público por essa TV.

Brasília
Maio de 2009